Às vezes parece que nem faz tanto tempo desde a última vez que nossos olhos sorriram com fulgor quase pueril.
Lembro-me tanto das tuas gesticulações e caretas quanto dos meus sorrisos bobos e incoerentes.
Ao olhar-me no espelho, lembro da minha imagem refletida em seus olhos e, sem que eu perceba, lágrimas secas pingam nas bordas do vidro.
As nossas vontades trajadas com palavras censuradas e gentis também não saem dos limites de minhas reminiscências.
Ah, e o sorriso! O meu último sorriso seu. Ainda o tenho comigo e o carrego para todos os lados, dentro de mim.
Pensando bem, parece que muitos anos se passaram depois de nossos encontros e desencontros. Metade de nós dois se foi e a outra metade, mesmo em frangalhos, ficou. Você, porém, não passou nem deixou pedaços teus em meus pedaços. Vejo-te inteiro, intacto, morando em alguns restos sentimentais do meu interior.
Eu não digo que o tenho, ou qualquer frase que contenha tamanha pretensão. Também não afirmo lembrar-me de você todo o tempo; lembro-me de você somente quando, em alguma parte do dia, penso e olho para mim.
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